Dunga quer psicólogo longe da seleção

26/04/2016Mais Esportes

O técnico Dunga não quer saber de psicologia na seleção brasileira. Foi o que deixou claro durante mesa redonda com o técnico da seleção italiana, Antonio Conte, e o treinador do Fluminense, Levir Culpi.

 

O debate fez parte do evento “Somos Futebol”, organizado pela CBF ao longo desta semana.

 

“O jogador chega na seleção depois de uma viagem de 11 horas, tem poucos dias até o jogo. Ele vai abrir o coração dele (para um psicólogo) em meia hora? (...) Eu vou ver o psicólogo e vou perguntar: Quem é esse cara? Será que ele vai contar para o dirigente? Será que ele vai contar para o treinador?. Desculpa meu modo sincero de falar, mas eu sou autêntico. Tem coisas inviáveis na seleção brasileira”, disse Dunga.

 

Dunga disse ainda que, em geral, o jogador brasileiro assume cedo a responsabilidade de sustentar sua família, motivo pelo qual “jogadores de ponta” chegam à seleção brasileira mais prontos.

 

O paternalismo, segundo o técnico da seleção brasileira, é um problema a ser combatido no futebol brasileiro.

 

Segundo Dunga, jogadores brasileiros aceitam bem quando são substituídos ou quando viram reservas na Europa, mas apresentam “outro comportamento” quando isso acontece no Brasil.

 

A seu lado, Levir Culpi assentia com a cabeça. O treinador do Fluminense compartiu a opinião sobre o trabalho de psicologia em time profissional e falou sobre os desafios extracampo que enfrenta na relação com os jogadores.

 

“(...) É como falar que vai trazer um psicólogo para resolver todos os problemas do seu time é uma mentira, porque os atletas brasileiros precisam de assistência social, de educação. O problema é muito sério”.

 

“Vou citar um jogador de alto nível que trabalhou comigo. O padrasto ameaçava bater na irmã desse jogador, e ele ficava acordado, não dormia, não dorme até hoje. Como resolver isso no vestiário? Eu acho que o melhor caminho é esse: fazer os atletas acreditarem no que você está falando. Transmitir a experiência que você já tem. Eu sei que não consigo resolver um problema tão grande”.

 

Redação Futebol Bauru

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26/04/2016


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