Treinador pede para fazer "corpo mole"
João Araújo, treinador do Atlético de Roraima, na Copa São Paulo de Futebol Júnior, proibiu recentemente os seus jogadores de darem entrevistas ao programa Globo Esporte. Alegou que nenhum deles queria falar, mas agora, após a eliminação da equipe com três derrotas, alguns jogadores resolveram se pronunciar. Já sem vínculo com o clube, acusam o treinador de forçá-los a algumas atividades em troca de chance no time, de cobrar mensalidade e, a pior delas, fazer corpo mole na última rodada. O jogo em questão terminou “Ele mandou ir para o jogo e tirar o pé. Chegar devagar nos caras. Disse para alisar, não chegar forte, porque aquele jogo não nos ia levar a nada. Eu queria mostrar meu trabalho. Achei errado isso e fui para cima dos caras, mas ele pegou e me sacou”, denunciou o lateral Denner. STJD Segundo o advogado Marcílio Krieger, especialista em direito desportivo, o STJD - Superior Tribunal de Justiça Desportiva poderá abrir inquérito a partir da denúncia. A pena nesses casos é direcionada diretamente aos envolvidos, e a partida não seria cancelada. De acordo com o artigo 275 (proceder de forma atentatória à dignidade do desporto, com o fim de alterar resultado de competição), a pena é de eliminação do esporte. Outros jogadores aproveitaram também a eliminação do time na Copinha para desabafarem contra João Araújo. E as histórias são diversas. A começar pela do lateral Rodrigo, também de 17 anos. Ele contou que o treinador forçava os jogadores a lavarem a sua van. Caso contrário, não teriam lugar no time. E também fazia os menos privilegiados no elenco a caminharem nove quilômetros. “Ele pedia para lavarmos a van dele. Se não lavássemos, não treinávamos. Também fazia a maioria ir ao treino a pé. Eram quase nove quilômetros. Nós chegávamos lá, fazíamos treino físico e tinha de voltar mais nove quilômetros, sem lanche, sem nada. Ele colocava na van só aqueles de quem gostava mais”, contou o garoto. Antônio Alberto, empresário de 18 dos 22 jogadores do elenco do Atlético de Roraima na Copa São Paulo, também reclamou. Disse ter dado mensalidade de R$ 500 reais por atleta. A alegação de João Araújo era de que era para acertar salários. “Eu tinha 18 jogadores no time e pagava cinco mil por 10 deles, que eram os principais, os que mais jogavam. Ele alegava que era para pagar a comissão técnica, mas tinha apenas um cara, o preparador físico”, denunciou o empresário. Redação AFB 13/01/2010.

