Pressão será forte na Copa no Brasil
Há quatro anos, Carlos Alberto Parreira, à época no comando da Seleção Brasileira, sentia a frustração e a cobrança pela eliminação na Copa da Alemanha. Uma das principais críticas seria o estilo liberal e a falta de pulso com medalhões como Ronaldo e Roberto Carlos. Por conta disso, Dunga assumiu o cargo para colocar rédeas curtas e implementar uma filosofia totalmente diferente de trabalho. No entanto, hoje, o capitão do tetra deixou o Mundial de 2010 exatamente da mesma forma que Parreira em 2006: despachado nas quartas de final. Parreira ressaltou que não existe receita para conquistar uma Copa do Mundo. “Eu acho que esses dois parâmetros são muito claros. Os resultados foram iguais. Comigo, conquistamos a Copa América, ganhamos a Copa das Confederações na Alemanha, ganhando dos anfitriões e da Argentina na final. Fomos os primeiros das eliminatórias e acabamos eliminados. A mesma coisa ocorreu agora. Não existe uma fórmula pronta. Cada país tem seu jeito de treinar, sua filosofia. O importante é você ter resultado e sucesso”, lembra Parreira. O treinador da África do Sul na Copa deste ano também eximiu Dunga de qualquer culpa, mas disse não entender como a equipe perdeu a calma no fatídico duelo contra Holanda que decretou o adeus do Brasil à Copa. “Lamento é que o Brasil vinha com uma boa trajetória. Um saldo muito favorável de vitórias. O time vinha jogando bem e fez um primeiro tempo excelente. Poderia ter definido o jogo. O que não entendi foi como o time entrou em pânico depois que a Holanda empatou. Como uma equipe experiente como a nossa perdeu a cabeça desse jeito e não se encontrou mais na partida. Não vou falar de longe, pois vi o jogo da televisão. Mas a gente percebeu que o time se descontrolou de uma maneira inexplicável para o padrão que ela tem”, observou. Técnico experiente no Brasil Segundo Parreira, o sonho do hexa ter ruído na África vai causar mais pressão para a Seleção na Copa de 2014. Afinal, o torneio será disputado no Brasil. Por conta disso, Parreira disse quais critérios deverão ser tomados na hora de escolher o substituto de Dunga. “Tem que ser um técnico independente, muito experiente, sujeito à chuva e trovoada. Ele também deve ter convicções bem definidas, pois não vai faltar conselho de palpiteiros. A pressão vai ser muito mais forte do que agora, pois ganhar uma Copa fora é muito mais fácil do que ganhar em casa”, disse Parreira. Parreira desmentiu a possibilidade de assumir qualquer clube brasileiro ainda nesta temporada. “Recebi algumas propostas de clubes brasileiros de ponta e de três seleções, não da Europa, mas já para começar um trabalho a partir do final do ano. Mas estou praticamente decidido a não sair mais do Brasil. Vou dar um tempo até dezembro e ficar com a família”, observou. Redação AFB 04/07/2010.

