Presidente diz que pegou clube com gestão ultrapassada
“Encontrei o São Paulo muito pior do que eu imaginava”. A frase de Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, expõe o seu incômodo com a situação do clube.
Eleito em abril passado com apoio do ex-presidente Juvenal Juvêncio, Aidar afirma que seu antecessor teve um “jeito de gerir ultrapassado”.
Em entrevista à Folha, diz que encontrou um clube “muito acostumado a benesses” e citou que o São Paulo pagava viagens, hospedagens, ingressos e tinha até carros para diretores.
Procurado para comentar as críticas, Juvenal Juvêncio não atendeu às ligações.
“Quando era candidato, via o estilo com o qual o São Paulo era gerido. Me levava a uma preocupação: de gestão centralizada, não participativa, sem modelo de mecanismos de controle. Pedi o organograma de controle, não tem. Me deixou bastante aflito”, desabafou.
“Encontrei o São Paulo muito pior do que imaginava, acostumado a benesses, com pessoas acostumadas a vantagens. Era comum ver diretor andando pelo clube com pacote de ingressos na mão para show, para jogo, distribuindo para sócios”, contou.
O presidente relata que paga mensalmente R$ 2 milhões e 300 mil reais de juros de dívidas bancárias e que “está fazendo milagre”.
Estilo folclórico
O presidente faz menção ao estilo de seu antecessor, Juvenal Juvêncio, e o critica.
“Pagar bicho em dinheiro, no vestiário, em saquinho de pão? Acho que não dá mais. Dirigir o clube em duas, três pessoas... O jeito de ele gerir é ultrapassado”, atacou.
Aidar disse que fez duas demissões no clube e pretende fazer mais.
“Duas demissões, por enquanto. Duas da área de comunicação. O clube está sendo tocado com 950 empregados. O diagnóstico do Instituto Áquila (contratado para avaliar o desempenho do clube e propor modelo de gestão) diz que o que esses 950 fazem, 95 podem fazer. Por quê? São acomodados, despreparados, não compromissados”.
O modo como é conduzida a formação de jogadores do São Paulo, no Centro de Treinamento em Cotia, é outro alvo de crítica à Juvenal Juvêncio, atual diretor da base, mas Aidar admite que pode tirá-lo do cargo.
“A base deveria produzir mais jogadores. A base meio que se isolou do São Paulo, como se fosse um clube separado. O Juvenal tem que se entrosar mais com a gestão atual porque a base é o futuro do São Paulo. Estou dando um tempo maior para ele (Juvenal), até o limite do possível. Não dá para contemporizar numa gestão profissional”, afirmou.
Redação Futebol Bauru
09/09/2014.

