Por ironia, goleiro está de volta à penitenciária
No ano de 2000, quando viu o talento precoce o colocar, com apenas 16 anos, em um time que em sua maioria era formada por jogadores adultos, Bruno, que teve o contrato suspenso pelo Flamengo onde ganhava R$ 200 mil reais por mês, não tinha noção da peça que estava sendo pregada pelo destino em sua vida.
Revelação da Escolinha de Futebol Palmeiras, o goleiro foi convidado para defender em algumas oportunidades a Associação de Funcionários da Penitenciária José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves, cidade mineira, onde nasceu.
Nos dez anos seguintes, Bruno cresceu, se profissionalizou e virou “o melhor goleiro do Brasil” para a torcida do Flamengo. Trocou o papel de promessa pelo de ídolo. Sonhou até mesmo com a Seleção Brasileira. Defendeu o Atlético Mineiro e o Corinthians, e voltou a Minas Gerais.
Sexta-feira, por ironia do destino, voltou a vestir o uniforme de uma penitenciária, a Nelson Hungria, em Nova Contagem (MG). Só que dessa vez não como convidado, mas como acusado do desaparecimento da ex-amante, Eliza Samudio, em um caso que envolve relatos estarrecedores e suspeita de assassinato.
Responsável pela primeira passagem de Bruno pela penitenciária, Edson Alves, o “Fera”, primeiro técnico de Bruno, lamenta a infeliz coincidência e torce para que o pupilo consiga mudar o destino. “Nesse time tinha também fisioterapeuta, secretário de saúde, agente penitenciário, médico.... Era o time a Associação Esportiva Funcionários da Penitenciária, onde jogavam os filhos e funcionários. Além dos jovens que se destacavam na cidade. Com certeza é uma ironia do destino”, lamentou.
“Se houver a condenação, espero que ele coloque a mão na consciência, que reflita sobre isso tudo, e exponha o resultado aqui fora. Que passe para as crianças o que aconteceu e diga que não quer ver o problema se repetir. Pode realizar trabalhos sociais”, diz “Fera” o primeiro treinador do goleiro Bruno.
Redação AFB
10/07/2010.

