Política e dinheiro travam o Palmeiras

20/05/2010Mais Esportes

No último ano, três técnicos passaram pelo Palmeiras, entre eles, dois dos mais badalados e vitoriosos do mercado, Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho. Apesar do currículo respeitável, ambos naufragaram.

 

E, nos últimos seis meses, seis jogadores titulares deixaram o clube: Maurício, Obina, Edmílson, Vágner Love, Diego Souza e Robert. A polêmica da última segunda-feira, que resultou na demissão do técnico Antônio Carlos Zago, fez o torcedor do Palmeiras indagar o que estaria ocorrendo no Palestra Itália.

 

A explicação para o momento conturbado remete ao último período eleitoral. Quando Afonso Della Mônica deixou a presidência, em janeiro do ano passado, o grupo de oposição, liderado por Mustafá Contursi, apresentou Roberto Frizo como candidato. Embora fora da administração, Contursi formou sólida base no Conselho Deliberativo, o que sempre dá ao candidato por ele apoiado a possibilidade de brigar em boas condições.

 

Para evitar a volta do ex-presidente ao poder, mesmo que de forma indireta, vários grupos políticos menores se reuniram e decidiram que era preciso lançar um nome forte para representá-los. Chegaram a Luiz Gonzaga Belluzzo, economista com trânsito fácil no governo federal, estadual e municipal. Todo esse prestígio, acreditavam seus simpatizantes, poderia ser usado para atender a interesses do Palmeiras.

 

Ironicamente, a união de forças políticas que determinou a vitória de Belluzzo é a mesma que dificulta, e muito, sua administração. Ao assumir a presidência, Belluzzo se viu diante de equação complicada até mesmo para o mais renomado economista: como encaixar em sua diretoria todos aqueles que o apoiaram na eleição? Não foi possível. E cada um que ficou fora se sentiu traído, desprestigiado e, assim, se transformou em dor de cabeça para o comando.

 

Sem dinheiro

Outro sério problema que aflige o Palmeiras, e tantos outros clubes brasileiros é o financeiro. De acordo com o ex-técnico Antônio Carlos, os atrasos de pagamento foram sistemáticos. “Os atrasos de fato aconteceram e atrapalham muito”, afirmou o treinador. Embora a diretoria não confirme, corre no Palestra Itália a informação de que as cotas do Campeonato Paulista já estão comprometidas até 2014.

 

Belluzzo também está entre os presidentes que encontram dificuldade para controlar a ala mais radical da torcida que insiste em intimidar técnicos e jogadores, como foi o caso de Luxemburgo, Love e Diego Souza. “Enquanto essas questões não forem resolvidas, qualquer um que chegue para ocupar o cargo de treinador terá dificuldade para trabalhar”, admitiu o ex-técnico Antônio Carlos Zago.

 

Redação AFB

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20/05/2010.

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