O superfaturamento do Pan no Rio
Trecho de relatório do Tribunal de Contas da União sobre o Pan de 2007, realizado no Rio de Janeiro: “(...) a Unidade Técnica indicou a existência de superfaturamento (...) em 17 dos 22 itens selecionados (...)”. Incrível, a palavra “superfaturamento” aparece 59 vezes em 17 páginas. E neste texto se repete, obrigatoriamente, em oito ocasiões.
Tem de tudo, superfaturamento da mão-obra de marceneiros e eletricistas, na compra de aparelhos de ar condicionado, furadeiras, parafusadeiras, etc. E tem mais: “(...) constata-se o aumento do valor do superfaturamento apurado para o item persianas de R$ 858.208,00 para R$
Em outra parte do relatório encontramos: “(...) uso de veículo tipo transpaleteira elétrica (...) ao custo mensal de R$ 2.100,00, pelo período de 18 meses. Considerando que os demais itens de logística consideram o período de 8 meses (...) não há justificativa para a cobrança por 10 meses a mais (...), superfaturamento de R$
Assim, de superfaturamento em superfaturamento, surgiram obras como o Engenhão, que deveria custar R$ 60 milhões e saiu por quase sete vezes mais. Ficou como legado? Para o atletismo não, pois a pista está lá, sem uso frequente. O Botafogo, que assumiu o “elefante branco”, passou a arcar com R$ 400 mil mensais de manutenção.
Sem competição
O ex-prefeito dizia que, por se livrar desse custo, fez um bom negócio. Como se o estádio não tivesse custado R$ 400 milhões aos cofres públicos. Já o velódromo tem pista construída com madeira importada da Sibéria. E ficou sem competições de ciclismo por 240 dias depois do Pan.
Obra do Pan de quase R$ 85 milhões, o sempre deserto parque aquático Maria Lenk não serve para a natação olímpica. E terá que sofrer reformas para receber saltos ornamentais e pólo aquático, se o Rio for escolhido. Qual a ideia? Construir um novo complexo de piscinas com arquibancadas para 18 mil torcedores. Se o chamado sonho olímpico é tão antigo, por que não fizeram logo um assim?
A reformulação do Maracanãzinho saiu por R$ 97 milhões, quase o investido pelos governantes do Distrito Federal e da Bahia nos absurdamente caros estádios do Bezerrão e de Pituaçu, juntos! Quanto à Arena Multiuso, que custou R$ 129 milhões, virou casa de shows. Eventualmente recebe jogos de basquete, por exemplo.
Você confia nos que comandam o Rio 2016? Ou não está nem aí para a possibilidade de o dinheiro público ser mal utilizado? Pode ser que você queira os Jogos no Brasil de qualquer jeito. Talvez a palavra superfaturamento já não o incomode. Mesmo que usem a furadeira mais cara do planeta.
Redação AFB
02/10/09.

