O cerco se fechando contra o presidente da CBF

14/02/2012Mais Esportes

Se há meses a renúncia de Ricardo Teixeira das presidências da CBF e do COL - Comitê Organizador Local, do Mundial/2014 provocava risos entre amigos e aliados do dirigente, hoje a situação é distinta.

 

Ninguém nega veementemente a possibilidade de Teixeira deixar os cargos, nem mesmo Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, que antes rechaçava a informação. Nos últimos dias, diversos blogs passaram a dar como certa a renúncia que ocorreria em breve.

 

O da medalha

“Oficialmente, não sei de nada. Durante a semana passada, nem se cogitava isso. São boatos, mas, se o jornal está colocando, vamos aguardar as próximas semanas ou meses. Tem de perguntar para o presidente”, disse o diretor de seleções da CBF e amigo de Teixeira, Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians.

 

Segundo o estatuto da CBF, caso Teixeira renuncie, o vice mais velho assumiria, no caso é José Maria Marin, ex-Governador de São Paulo e ex-presidente da FPF.

 

Marin foi indicado para ocupar interinamente o comando da CBF por cerca de 40 dias, entre dezembro e janeiro deste ano. Teixeira se ausentou para cuidar da saúde. Presidentes de Federações acreditavam que o afastamento era definitivo.

 

Segundo um dos presidentes, Marin, aquele que embolsou uma medalha do Corinthians na final da Copa São Paulo, passou a cuidar da administração da entidade desde então, mesmo após o fim da licença.

 

Liquidando para se mudar?

Caso a saída da CBF se concretize, Ricardo Teixeira também teria mudanças em sua vida pessoal. Segundo fontes, o dirigente estaria de mudança para sua casa em Miami, nos Estados Unidos.

 

Desde outubro de 2011, Teixeira tem se desvinculado de negócios da Fazenda Santa Rosa, em Barra do Piraí (RJ). Realizou leilão das cabeças de gado que possuía, e vendeu cerca de 80% do que tinha na propriedade.

 

Em novembro, fechou o laticínio Linda e começou a demitir os funcionários. As demissões foram progressivas. Entre ordenhadores e funcionários do laticínio, foram mais de 50 dispensas.

 

A fazenda, que chegou a contar com 60 funcionários, hoje só tem sete, responsáveis pela manutenção da sede e de algumas cabeças de gado. Até o momento, porém, a propriedade não foi colocada à venda.

 

Mas vizinhos afirmam que Teixeira não tem ido ao local. De fato, o chefão da CBF passou o mês de janeiro nos Estados Unidos, onde realizou exames médicos. Sua mulher e sua filha continuam em Miami.

 

Divulgação da Fifa

O distanciamento de Teixeira, da CBF e do COL, acontece ao mesmo tempo em que se aproxima a divulgação dos documentos do caso ISL.

 

A extinta empresa de marketing teria pago executivos da Fifa em troca dos direitos de TV da Copa nos anos 1990. O brasileiro teria levado R$ 15 milhões e 500 mil reais. Teixeira nega.

 

Em dezembro, a Justiça suíça determinou a revelação dos documentos que comprometeriam Teixeira. Para dirigentes a saída da CBF poderia ser um acordo com a Fifa para impedir a divulgação dos papeis.

 

Teixeira foi investigado pela Polícia Federal por suposto crime de lavagem dinheiro. O dirigente poderia ter utilizado uma empresa no paraíso fiscal de Liechtenstein para enviar o dinheiro ao Brasil.

 

Distante de Brasília

O dirigente também enfrenta problemas de saúde. Em setembro, teve crise de diverticulite, que o deixou internado em hospital da Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

Ricardo Teixeira vem sofrendo pressão na Fifa para deixar o comando do COL. No ano passado, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, teria pedido à presidente Dilma Rousseff uma indicação para o lugar do atual presidente da CBF.

 

Durante o governo Lula, Teixeira teve trânsito livre em Brasília. A situação, porém, mudou com a troca de governo. Dilma não dá abertura ao dirigente, que viu o Planalto endurecer as discussões sobre a Lei Geral da Copa.

 

Teixeira tentou ser recebido duas vezes pela presidenta a semana passada, sem sucesso.

 

Redação Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

14/02/2012.

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