"O Brasil não está no caminho certo", cita Valcke
O Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 deu prazo, vencendo nesta segunda-feira, para que as obras nos estádios brasileiros comecem. Porém em metade das sedes há trabalho.
O assunto causa preocupação na Fifa, que cobra urgência ao Brasil. O secretário-geral, Jerome Valcke, se mostrou preocupado com os preparativos brasileiros para o Mundial de 2014, não apenas com estádios, mas também com obras de infraestrutura, como aeroportos.
Após evento em Joanesburgo, na África do Sul, no qual a Fifa distribuiu ingressos aos operários que trabalharam na construção dos estádios da Copa, Valcke não poupou palavras para puxar as orelhas do Brasil.
“Recebi alguns relatórios sobre estádios e não está nada bom. É incrível como o Brasil está atrasado, e não estou falando apenas de Morumbi ou Maracanã, mas de todos os estádios. Muitos dos prazos já expiraram, e nada aconteceu. O Brasil não está no caminho certo”, disse Valcke, em entrevista a jornalistas brasileiros que acompanhavam o evento.
Carnaval faz parar tudo
O secretário-geral mostrou estar muito por dentro do que acontece no Brasil e usou de certa ironia ao citar o carnaval como um dos obstáculos para o andamento dos preparativos no país.
“O Brasil está há muito tempo querendo uma Copa, mas agora tem que se mexer. Tem de fazer isso pela América do Sul, não só pelo Brasil. A Copa é amanhã de manhã. Este ano há eleições, para tudo. Ano que vem, carnaval, pára de novo. É preciso aproveitar o tempo disponível para fazer as coisas”, criticou severamente.
Valcke lembrou que Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador 2014, assim como Orlando Silva, ministro do Esporte, estão preocupados.
“Não adianta ficar mandando cartas. Muito pouca coisa foi feita. É hora de agir”, disse Valcke, referindo-se ao fato de Ricardo Teixeira ter enviado por escrito sua preocupação com os prazos para cada uma das cidades-sede da Copa de 2014.
Apesar de nitidamente insatisfeito e preocupado, o secretário-geral da Fifa descartou qualquer hipótese de o Brasil perder o direito de receber a Copa de 2014. Ainda, disse que as 12 cidades-sede devem ser mantidas, embora a Fifa sempre desejasse 10.
Redação AFB
03/05/2010.

