Noroeste deu a entrada, mas não as 15 parcelas do estádio

20/12/2025Noroeste

Renato Amantini lembra: “pagamos as 15 parcelas”. (Futebol Bauru 15/12/2025)

Uma das últimas parcelas, paga em agosto de 1996. (Futebol Bauru 15/12/2025)

Estádio “Alfredo de Castilho” foi completamente reformado e modernizado ano passado. (Pegoraro Engenharia/Via Drone)

Sabe-se que o Estádio “Alfredo de Castilho” foi inaugurado em 1960, mas o que poucos sabem é que o Noroeste não pagou pelo complexo erguido em área de 72 mil 600 metros quadrados na Vila Pacífico, doada ao clube, por Daniel Pacifico no final da década de 1950. 

O Noroeste mandava seus jogos em campo de madeira ao fundo do Hospital de Base, na Avenida Duque de Caxias. Em 28 de agosto de 1958 o campo pegou fogo em jogo contra o São Paulo, pelo Paulistão. 

Alfredo de Castilho

Fundado em 1910, em homenagem EFB - Estrada de Ferro do Brasil, depois FNB - Ferrovia Noroeste do Brasil, depois NOB - Noroeste de Obras do Brasil e posteriormente RFFSA - Rede Federal Sociedade Anônima, a empresa estatal bancou a construção do estádio em Vila Falcão onde joga o Noroeste. 

Oquendo Lopes então engenheiro da RFFSA em Bauru projetou e comandou as obras do novo estádio, inaugurado em 1960 com o nome de Ubaldo de Medeiros, diretor da NOB em Bauru. Em 1964 o estádio passou a ser chamado de “Alfredo de Castilho”. 

Pagou a entrada

O Noroeste pagou, em valor simbólico, a entrada da compra junto a RFFSA, mas as 15 parcelas foram quitadas pela Família Amantini, de acordo com Renato Amantini. 

Em dezembro de 1979 o então presidente do Noroeste, Cláudio Amantini burlou, em São Paulo, a forte segurança do presidente João Batista Figueiredo, o último do regime militar e entregou ao General camisa do Noroeste com pedido para a RFFSA vender o estádio ao clube. 

“Apanhei”

Semanas antes João Figueiredo havia se envolvido em confusão em Florianópolis (SC) com estudantes e a população vaiando o General em uma solenidade. 

A segurança foi reforçada em São Paulo e Amantini (*1929 +2021), contava sempre, “apanhei muito, mas consegui entregar a camisa ao presidente e fazer o pedido para vender o estádio ao Noroeste”. 

Amantini Veículos

“Estávamos de mudança, em 1977, da Rua Ezequiel Ramos para o novo prédio construído (ao lado do Bauru Shopping) para abrigar a Amantini Veículos. Época difícil para honrar os compromissos”, lembra Renato Amantini que à época respondia pela direção da empresa. 

Em 1986 Cláudio Amantini assinou o contrato de compra do complexo “Alfredo de Castilho” pelo EC Noroeste junto à RFFSA. O clube ganhou prazo de 10 anos para quitação. 

Assinou o contrato

“Meu pai, como presidente do Noroeste em 1978, assinou o contrato de compra, mas com a divida aberta fomos `obrigados´ a assumir as 15 prestações para o meu pai não vir a ser cobrado judicialmente e com risco de penhora”, recorda Renato Amantini. 

 “A família aflita, mas meu pai dizia para ficarmos tranquilos, pois o Noroeste vai fazer campanha junto às empresas, empresários e a Prefeitura Municipal e irão bancar os pagamentos. Nunca teve campanha. Minha mãe (Helena) chorava todos os dias”, observa Renato. 

Cheque

Procurado pela reportagem do Futebol Bauru, Renato Amantini, em princípio não queria comentar, mas conversa vai, conversa vem, resolveu contar. 

Renato confirmou os pagamentos das 15 parcelas, à época R$ 12 mil 214 reais e 81 centavos, cada. Hoje mais de R$ 164 mil 200 reais, e total de R$ 2 milhões 463 mil reais, “mediante atualização dos valores pelo IGP-M, usando a data base 26/08/1996”, segundo o contador César Ciafreis, do Escritório Novo Sistema. 

Clique aqui e saiba mais sobre o Estádio “Alfredo de Castilho”

Erlinton Goulart, Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

20/12/2025

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