Morreu Ali, a lenda do boxe

04/06/2016Mais Esportes

O ex-boxeador americano Muhammad Ali, 74 anos, morreu após internação por problemas respiratórios, nos Estados Unidos.

 

Ali foi campeão olímpico, participou da “Luta do Século” original, venceu o combate mais famoso da história, foi o primeiro tricampeão mundial dos pesados, dominou o boxe no período mais competitivo entre os grandalhões dos ringues e se tornou a primeira estrela globalizada do esporte, com duelos em países do Terceiro Mundo.

 

Poderia ter conquistado mais como atleta, muito mais, não tivesse sido forçado a ficar inativo durante mais de três dos anos mais produtivos da carreira de um esportista.

 

Mas, graças a esse sacrifício, transcendeu o esporte e influenciou a sociedade americana em questões sociais, políticas e religiosas.

 

Aos 12 anos

Nascido Cassius Marcellus Clay Jr. em 1942, na cidade de Louisville, oriundo de família humilde, Ali descobriu o boxe na infância por acaso.

 

Aos 12 anos, quando roubaram sua bicicleta, procurou Joe Martin, um policial que dava aulas em um centro de recreação, para reclamar do roubo. Nunca mais viu a bicicleta, mas logo estava calçando as luvas de boxe.

 

Rapidamente conquistou títulos amadores que lhe abriram caminho até a Olimpíada de Roma, em 1960. Lá, aquele jovem tagarela ganhou a medalha de ouro entre os meio-pesados.

 

Ao retornar aos Estados Unidos, foi acolhido como herói, homenageado por autoridades e assinou contrato com grupo de milionários que o patrocinou.

 

Medalha no rio

Naquela época, prevalecia o racismo. Os restaurantes, hotéis e cinemas, especialmente os do sul do país, reservavam espaços para que os negros se acomodassem separados dos brancos.

 

Quando teve o pedido de hambúrguer e milk shake negado em lanchonete por causa da cor de sua pele, Ali foi à Ponte Jefferson County e atirou no Rio Ohio sua medalha olímpica, com a qual sonhava desde que desferira os primeiros socos no ginásio.

 

“Não houve dor ou remorso, só alívio e renovação de forças”, disse Ali sobre o episódio, anos depois.

 

Bailava no ringue

O boxeador se adaptou facilmente ao profissionalismo, no qual estreou ainda em 1960. Adotou slogan simpático: “flutuar como uma borboleta, picar como uma abelha”, em referência à forma como bailava no ringue e à velocidade dos golpes. Seus reflexos faziam com que raramente fosse atingido com força.

 

Ali se dava ao luxo de prever, por meio de poemas, em que assalto derrubaria seus adversários. Na maioria das vezes, acertava.

 

E não perdia a pose quando errava a previsão. Quando o ranqueado Doug Jones aguentou dez assaltos, Ali argumentou: “Primeiro disse que venceria em seis assaltos, depois em quatro. Bom, seis mais quatro dá dez, não?”.

 

Recusou ir à guerra

Poucos meses após conquistar o título mundial dos pesos-pesados, ao bater Sonny Liston, em fevereiro de 1964, revelou que se convertera ao islamismo, abrindo mão do seu “nome de escravo”, Cassius Clay, e passando a se chamar Muhammad Ali. Em suas próprias palavras, era agora “O Rei do Mundo” e “O Mais Bonito”.

 

Três anos depois, ainda campeão, foi convocado a comparecer ao centro de recrutamento do Exército, onde recusou o alistamento para a Guerra do Vietnã.

 

“Nenhum vietnamita jamais me chamou de crioulo”, justificou Ali, que teve a licença de pugilista cassada e foi destituído do cinturão em 1967.

 

Nos anos seguintes, ganhou a vida com palestras no circuito universitário. Viu aumentar o ódio daqueles que defendiam o sistema, mas seu discurso o tornou ídolo dos jovens, que à época clamavam veementemente por mudanças.

 

Luta do Século

Após longa batalha jurídica, recuperou a licença de pugilista e retornou aos ringues em 1970, contra dois rivais de categoria, Jerry Quarry e o argentino Oscar Ringo Bonavena.

 

No ano seguinte, enfrentou na “Luta do Século” Joe Frazier, que então era o dono de seu cinturão, em um choque de invictos.

 

A comoção gerada pela luta foi tamanha que o cantor Frank Sinatra, já grande astro àquela época, aceitou fazer “bico” como fotógrafo para a revista Life apenas para garantir lugar à beira do ringue, já que os ingressos estavam esgotados.

 

Nas cordas

Ali perdeu por pontos em 15 assaltos, mas em 1974 ganhou nova oportunidade de lutar pelo título, desta vez contra George Foreman.

 

Ali subiu ao ringue como o azarão. Afinal, Foreman tomara o cinturão de Frazier ao derrubá-lo seis vezes em dois assaltos, e precisara do mesmo número de assaltos para destruir outro algoz de Ali, Ken Norton.

 

Sem a agilidade e os reflexos do auge da carreira, Ali usou a cabeça. Encostou-se nas cordas e permitiu que o rival o castigasse, assalto após assalto, até que Foreman se cansasse.

 

Então, no oitavo assalto, partiu para o ataque e derrotou o rival. O combate foi transformado em livro por Norman Mailer, “A Luta” e gerou um documentário, “Quando Éramos Reis”, ganhador do Oscar em 1996.

 

Mal de Parkinson

Foi ao acender a pira olímpica nos Jogos de Atlanta/1996, nos Estados Unidos, que o mundo descobriu os avançados sintomas do Mal de Parkinson, que reduziu drasticamente a sua mobilidade e a sua capacidade de comunicação.

 

Passou os últimos anos de sua vida dependente de tratamentos e remédios, e suas aparições públicas se tornaram cada vez mais raras.

 

Redação Futebol Bauru

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04/06/2016


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