Morre ex-presidente do COI

21/04/2010Mais Esportes

“Eu tenho 89 anos. Estou no fim da minha vida. Peço a concessão dos Jogos Olímpicos para o meu país.” A frase, em tom profético, em outubro de 2009, foi a última tentativa de Juan Antonio Samaranch de obter para Madri, na Espanha, a vitória na escolha da sede dos Jogos de 2016.

 

O presidente de honra do COI - Comitê Olímpico Internacional morreu, nesta quarta-feira, com a frustração de não ter realizado o último desejo olímpico, já que o Rio de Janeiro acabou vencendo a empreitada. Mas Samaranch foi um grande vitorioso, e, sem dúvida, um dos maiores nomes do esporte olímpico.

 

Sai de cena o segundo “Mr. Olimpíadas”. Para se ter uma ideia, Juan Antonio Samaranch Torello, presidente do COI por 21 anos, de 1980 até 2001, só não ficou mais tempo no poder da entidade do que o Barão de Coubertin, pai dos Jogos Olímpicos, comandante da entidade por 28 anos, de 1896 a 1924.

 

Nascido em Barcelona em 17 de julho de 1920, desde cedo o catalão Samaranch mostrou a paixão por esportes. Na juventude, foi jogador e treinador de hóquei, boxe e futebol. Mas, como dirigente, deixou para a eternidade a sua marca.

 

A ele deve-se o grande sucesso da organização das Olimpíadas de Barcelona, em 1992. Sob o seu comando, o COI superou várias crises financeiras e boicotes devido aos enfrentamentos da Guerra Fria. E as Olimpíadas tornaram-se um verdadeiro showbiz. O evento hoje é um dos mais poderosos do mundo na área comercial.

 

Não à toa, Samaranch é considerado a figura esportiva mais importante da Espanha. Amado por catalães e madrilenos, foi sucedido no COI em 2001 pelo belga Jacques Rogge. Logo depois, nomeado presidente honorário e vitalício.

 

À frente do COI, o dirigente passa à história como um divisor de águas. Conseguiu pôr fim aos boicotes políticos aos Jogos, permitiu a participação de atletas profissionais e aumentou o nível de concorrência entre os participantes. Mas também conviveu com a explosão do doping e a grave crise em 1999 com a eleição de Salt Lake City para sede dos Jogos de Inverno de 2002, quando houve acusações de compra de votos.

 

Antes de se tornar o poderoso dirigente e empresário, Samaranch, após incursões como atleta, principalmente de hóquei sobre patins, foi jornalista esportivo. Cobriu, inclusive, os Jogos de Helsinque em 1952, na Finlândia. De tanto observar, pegou gosto. Quatro anos depois, já presidente da Federação Espanhola de Patinagem, chefiava a delegação nos Jogos de 1956, em Melbourne, na Austrália.

 

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