Martins deixa saudade. Técnico não.

10/11/2008Noroeste

Luiz Carlos Martins, à direita na foto, com Zé Rubens, o técnico que pôs o Noroeste em destaque na Copa Paulista. Luiz Carlos projetado pelo clube na década de 70 como jogador, já deixa saudade, mas não como treinador. Em 18 jogos, 20 pontos, quatro vitórias, oito empates, seis derrotas, 18 gols pró, 21 contra e 37% de aproveitamento.

Técnico do Noroeste apenas até o próximo dia 30, Luiz Carlos Martins que não irá renovar o contrato, que tinha verbal, para o Paulistão, se auto-promoveu nesta segunda-feira ao final da tarde, em entrevista ao vivo que concedeu em visita a Rádio Auri Verde.

 

“Desafio alguém dizer quem é que tem mais títulos conquistados do que o Luiz Carlos Martins?”, perguntou orgulhoso o treinador que decepcionou nesta sua última passagem pelo Noroeste. Os números são pragmáticos, absolutos e, sobretudo incontestes.

 

Não há dúvida. Dos últimos técnicos que passaram pelo Noroeste nenhum soma invejável currículo de conquistas como Luiz Carlos, mas a maioria o bate, alguns de goleada, em números.

 

Números não mentem

Contratado em 8 de maio passado para levar o Noroeste ao tão cobiçado e sonhado acesso à Série B em 2009, Luiz Carlos soçobrou. Em 12 jogos no Campeonato Brasileiro Série C obteve 15 pontos com apenas três vitórias, seis empates, três derrotas, 12 gols marcados, igual número de sofridos e aproveitamento inferior à média: 41.6%.

 

Os números sobrepõem à emoção do discurso. Na Copa Paulista, ex-Copa FPF que o Noroeste conquistou em 2005, a campanha de Luiz Carlos beira ao ridículo, sem precedentes. Em seis jogos, cinco pontos, apenas uma vitória, dois empates, três derrotas, seis gols pró, nove contra, três de saldo negativo e aproveitamento escárnio de 27,7%

 

Na entrevista Luiz Carlos Martins afirma categoricamente que “não fui o técnico na Copa Paulista”. Não se sentou no banco de reservas é verdade, mas treinou o time, fez palestras enfadonhas, intermináveis no vestiário abafado e escalou o time.

 

O silencioso Zé Rubens

Zé Rubens não treinava o time, mas o recebia escalado invariavelmente com três zagueiros. Durante os jogos, especialmente em Bauru, Zé Rubens alterava a escalação, tornando-a ofensiva.

 

Foi assim que ficou 10 jogos invictos, sete vitórias seguidas, recorde na história do clube. A duas rodadas do encerramento da primeira fase, o time já estava classificado à segunda fase. Zé Rubens em 14 jogos obteve oito vitórias, três empates, três derrotas e aproveitamento de 64.2%.

 

Com esses números espetaculares Zé Rubens entregou o time para Luiz Carlos comandar na segunda fase da Copa Paulista. Luiz Carlos realmente não ficava no banco de reservas, mantinha o seu auxiliar Paulo Amaral, sério, discreto, boa gente, mas que passava as instruções ao time através de comunicação por radio, ditadas por Luiz Carlos.

 

Contratações

Para o Brasileiro Série C o técnico Luiz Carlos Martins, 53 anos completados em agosto passado, pediu a contratação do zagueiro Carlinhos, fora de forma, campeão de cartões e faltas.

 

Luiz Carlos ainda indicou o ala-direita Wanderson Cafu que pouco jogou, se contundiu e só não foi dispensado por indisciplina porque teve do treinador mais uma chance. Mesma sorte não teve o zagueiro Marcelinho, prata da casa, que Luiz Carlos rejeitou e está emprestado a Ferroviária de Araraquara.

 

Igualmente por indicações de Luiz Carlos o Noroeste contratou os meias Bruno Soares e Renatinho, o zagueiro Matheus e o atacante Leandro Fonseca.

 

Luiz Carlos Martins de educação nobre, humildade exemplar, caráter irretorquível e probidade inquestionável já começa a deixar saudade. É o amigo que todos querem ter. De técnico, entretanto do Noroeste, não ficará saudade. Os números o reprovam no Noroeste.

 

                                                                                                               Erlinton Goulart, especial para o Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

10/11/08.

Veja Também