Foi-se embora o Homem do apito e da construção. Silêncio...
Elias Janeiro (*1966 - +2026)
As amigas, Jussara Medonha Lopes e Juliana Helena, informam-me, emocionadas, o falecimento do amigo Elias Janeiro, 60 anos. Jussara há mais de 30 anos sua amiga.
Ouvi estupefato, com o coração acelerado, descompassado, igual escolas de samba mambembes.
Elias se apresentava como “Elias Janeiro, 1º mês do ano e à disposição para renovar os sonhos e as esperanças de um Ano Novo feliz e, sobretudo de paz”.
Mestre de obras
A simplicidade e a humildade puras, escondia, na verdade, prestador exemplar de ajuda: encanador, eletricista, pedreiro, azulejista e até construtor, ou melhor, Mestre de Obras.
E assim, ajudava a todos indistintamente. Inclusive a esse iletrado radialista, jornalista, escritor e agora teimoso historiador.
Elias muito ajudou na reforma e na ampliação da casa simples, para abrigar a minha Família. Dizia sempre “paga como quiser, como puder”. E paguei em parcelas, muitas, mas paguei. Acredite.
Ro, a princesa
Vinha doente, há semanas, com insuficiência no Pâncreas, necessitando de atendimento e cuidado, que jamais negou a sua única filha, Rosana, se não me engano o nome.
“É a minha única filha, minha princesa, estudiosa, inteligente, sempre ao meu lado”, e as lágrimas pelo rosto moreno escorriam, quando contava.
Sem discussão
Mas na verdade Elias Janeiro foi bem mais que construtor de casas, desenhista e arquiteto de obras.
Foi um dos melhores árbitros, nestes 50 anos de Futebol Amador, que modéstia à parte, esse contador de estórias, conhece um pouco.
Elias pelo respeito que impunha, mas também pela probidade, estava sempre em cima dos lances, principalmente os mais polêmicos.
Apitava e não tinha contestação. O binômio, autoridade e honestidade, sua marca inconteste na arbitragem.
Não se atreva
Vai-se mais o gigante da arbitragem, da construção, mas especialmente o Homem de Verdade, com H maiúsculo como antigamente se dizia.
Na década de 1900 foi nomeado Diretor de Árbitros da LBFA - Liga Bauruense de Futebol Amador.
Suportou pacientemente os atrasos de pagamentos, mas um dia explodiu e pegou o então presidente pela garganta. Nunca mais se atrasou o pagamento dos árbitros.
Nos últimos anos, lamentavelmente, tornou-se comum árbitros apanhar na cara. Mas ainda não nasceu quem encarasse Elias Janeiro.
Agora descanse...
Erlinton Goulart, Futebol Bauru
08/05/2026
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