Fifa decreta fim aos fundos de investidores no futebol
A Fifa anunciou a decisão de banir do futebol a participação de fundos de investimentos na compra de jogadores. Ou seja, só clubes poderão ser ‘donos’ dos direitos econômicos dos atletas.
O anúncio foi feito pelo presidente, o suíço Joseph Blatter em entrevista coletiva em Zurique, na Suíça, após reunião do Comitê Executivo da Fifa.
“O comitê decidiu que a terceira parte (fundos de investimento) deve ser banida e haverá grupo de trabalho para a transição. Um prazo será dado para isso”, afirmou Blatter.
Segundo Blatter e o secretário-geral, o francês Jerôme Valcke, a medida deverá ser totalmente implementada em três ou quatro anos em todo o mundo. De acordo com ambos, o prazo exato pode ser definido na próxima reunião do Comitê Executivo, em dezembro.
O presidente da Fifa citou os clubes da América do Sul como os que precisam de um tempo para se adaptar às mudanças.
A medida atende a pressão da Uefa - União das Federações Européias de Futebol, sobretudo dos clubes ingleses, para acabar com a participação de fundos de investimento na transação de atletas.
Só três milhões
A mudança deve ter um impacto nos clubes brasileiros que contam com jogadores ligados a fundos de investimentos, como o DIS, braço do Grupo Sonda, que ajudou o São Paulo a tirar Paulo Henrique Ganso, do Santos, e a Traffic, que já teve o Palmeiras como parceiro.
O São Paulo, por exemplo, tem só 32% dos direitos de Ganso. Ou seja, em caso de uma transferência de R$ 10 milhões reais para o exterior, o clube ficaria com apenas R$ 3 milhões e 200 mil reais, e o DIS, com o restante do valor.
Europeus protestam
Defensor dessa regulamentação, o presidente da Uefa, o ex-jogador francês Michel Platini, tem sido pressionado pelos clubes da Premier League (Liga Inglesa), que protestam contra os pagamentos fatiados a grupos de investimentos donos de passe de atletas.
Como o uso de investidores terceiros, que não sejam donos de clubes, é proibido na Inglaterra, os gigantes da Premier League precisam adquirir a íntegra dos jogadores quando os compram de outros mercados e têm de fatiar o pagamento entre vendedores.
Paraíso fiscal
Além de Espanha e Portugal, países do leste europeu e da América do Sul são os que mais utilizam recursos desses grupos de investimento para negociar jogadores. O dinheiro colocado no passe dos atletas já estaria em torno de 1 bilhão de euros ou mais de R$ 3 bilhões de reais.
Segundo a mídia britânica, o português Jorge Mendes, apontado como o agente mais poderoso na Europa, estaria usando empresas em paraíso fiscal para comprar jogadores de Espanha e Portugal, entres eles o argentino Dí Maria, que trocou o Real Madrid, da Espanha pelo Manchester United, da Inglaterra, nesta temporada.
E também o brasileiro naturalizado espanhol, o atacante Diego Costa, recém transferido do Atlético de Madrid para o Chelsea, da Inglaterra.
Conmebol contra
A questão é que dirigentes da Conmebol - Confederação Sul-Americana de Futebol argumentam que a estrutura econômica de clubes sul-americanos é muito inferior à dos ingleses, alguns deles, como Manchester City e Chelsea, com um único e bilionário dono.
Ou seja, grupos de investimentos seriam fundamentais para manter jogadores no Brasil ou em qualquer outro país neste contexto, alegam.
Os investidores
Traffic, DIS, Doyen, Energy Sport,
O mecanismo é, em tese, bastante simples. Se um clube deseja um atleta, mas não tem dinheiro suficiente para contratá-lo, pede ajuda ao parceiro.
A contrapartida é que essa empresa ou fundo passa a ter o direito de ficar com o percentual de uma futura transferência do jogador.
Redação Futebol Bauru
26/09/2014.

