Fifa decreta fim aos fundos de investidores no futebol

26/09/2014Mais Esportes

A Fifa anunciou a decisão de banir do futebol a participação de fundos de investimentos na compra de jogadores. Ou seja, só clubes poderão ser ‘donos’ dos direitos econômicos dos atletas.

 

O anúncio foi feito pelo presidente, o suíço Joseph Blatter em entrevista coletiva em Zurique, na Suíça, após reunião do Comitê Executivo da Fifa.

 

“O comitê decidiu que a terceira parte (fundos de investimento) deve ser banida e haverá grupo de trabalho para a transição. Um prazo será dado para isso”, afirmou Blatter.

 

Segundo Blatter e o secretário-geral, o francês Jerôme Valcke, a medida deverá ser totalmente implementada em três ou quatro anos em todo o mundo. De acordo com ambos, o prazo exato pode ser definido na próxima reunião do Comitê Executivo, em dezembro.

 

O presidente da Fifa citou os clubes da América do Sul como os que precisam de um tempo para se adaptar às mudanças.

 

A medida atende a pressão da Uefa - União das Federações Européias de Futebol, sobretudo dos clubes ingleses, para acabar com a participação de fundos de investimento na transação de atletas.

 

Só três milhões

A mudança deve ter um impacto nos clubes brasileiros que contam com jogadores ligados a fundos de investimentos, como o DIS, braço do Grupo Sonda, que ajudou o São Paulo a tirar Paulo Henrique Ganso, do Santos, e a Traffic, que já teve o Palmeiras como parceiro.

 

O São Paulo, por exemplo, tem só 32% dos direitos de Ganso. Ou seja, em caso de uma transferência de R$ 10 milhões reais para o exterior, o clube ficaria com apenas R$ 3 milhões e 200 mil reais, e o DIS, com o restante do valor.

 

Europeus protestam

Defensor dessa regulamentação, o presidente da Uefa, o ex-jogador francês Michel Platini, tem sido pressionado pelos clubes da Premier League (Liga Inglesa), que protestam contra os pagamentos fatiados a grupos de investimentos donos de passe de atletas.

 

Como o uso de investidores terceiros, que não sejam donos de clubes, é proibido na Inglaterra, os gigantes da Premier League precisam adquirir a íntegra dos jogadores quando os compram de outros mercados e têm de fatiar o pagamento entre vendedores.

 

Paraíso fiscal

Além de Espanha e Portugal, países do leste europeu e da América do Sul são os que mais utilizam recursos desses grupos de investimento para negociar jogadores. O dinheiro colocado no passe dos atletas já estaria em torno de 1 bilhão de euros ou mais de R$ 3 bilhões de reais.

 

Segundo a mídia britânica, o português Jorge Mendes, apontado como o agente mais poderoso na Europa, estaria usando empresas em paraíso fiscal para comprar jogadores de Espanha e Portugal, entres eles o argentino Dí Maria, que trocou o Real Madrid, da Espanha pelo Manchester United, da Inglaterra, nesta temporada.

 

E também o brasileiro naturalizado espanhol, o atacante Diego Costa, recém transferido do Atlético de Madrid para o Chelsea, da Inglaterra.

 

Conmebol contra

A questão é que dirigentes da Conmebol - Confederação Sul-Americana de Futebol argumentam que a estrutura econômica de clubes sul-americanos é muito inferior à dos ingleses, alguns deles, como Manchester City e Chelsea, com um único e bilionário dono.

 

Ou seja, grupos de investimentos seriam fundamentais para manter jogadores no Brasil ou em qualquer outro país neste contexto, alegam.

 

Os investidores

Traffic, DIS, Doyen, Energy Sport, LA Sports, segundo a Folha. O futebol brasileiro foi inundado na última década por empresas e fundos de investimento que compram participações dos direitos econômicos dos jogadores.

 

O mecanismo é, em tese, bastante simples. Se um clube deseja um atleta, mas não tem dinheiro suficiente para contratá-lo, pede ajuda ao parceiro.

 

A contrapartida é que essa empresa ou fundo passa a ter o direito de ficar com o percentual de uma futura transferência do jogador.

 

Redação Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

26/09/2014.

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