Ex-goleiro do Noroeste criou negócio milionário

23/04/2021Mais Esportes

Há 28 anos, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp) tem o mesmo presidente: o ex-goleiro Rinaldo Martorelli que passou pelo Noroeste na década de 1980.

Nesses 28 anos, foi reeleito seis vezes e transformou o cargo em negócio lucrativo. Começou por criar remuneração para sua função, aumentou-a sistematicamente, elaborou bônus milionário e retroativo, reteve valores que poderiam ser repassados a atletas, contratou o próprio filho e transformou o Sindicato em empresa de agenciamento de jogadores.

A reportagem do ge obteve série de documentos em cartórios de São Paulo que contam como o ex-goleiro do Palmeiras assumiu o Sindicato em época de vacas magras e aproveitou o crescimento do futebol para transformar seu cargo no Sapesp num senhor emprego.

São atas de assembleias, balanços, orçamentos, correspondências e alterações de estatuto.

Martorelli assumiu a presidência em 1993. Por sete anos, não ganhou salário. Até que em janeiro de 2000 criou remuneração mensal para o seu cargo. Em janeiro de 2005, o presidente contratou o filho, Guilherme Martorelli, como advogado do Sindicato.

Bônus retroativo

Em março de 2020, o sindicalista propôs que a assembleia da entidade aprovasse bônus retroativo que, em valores estimados, chega a R$ 3 milhões 500 mil reais.

Ainda em 2020, Martorelli transformou o Sapesp em  empresa de agenciamento de jogadores e intermediação de transferências, para que possa faturar a partir da negociação de direitos federativos e econômicos. E entrou em conflito com a CBF.

Os atos do Sapesp precisam ser aprovados por Assembleia Geral convocada por meio de anúncios em jornais. O estatuto da entidade prevê que, “não havendo número legal de associados para instalação de trabalhos em primeira convocação, a assembleia será realizada uma hora depois, no mesmo dia e local, em segunda convocação com qualquer número de associados presentes”.

São Paulo tem mais de 8 mil jogadores profissionais de futebol. Mas aprovar qualquer ato em assembleia do sindicato não requer quórum mínimo.

Exemplo é a reunião que aprovou a criação do salário presidencial. Em 28 de março de 2000, sete anos após ter assumido a presidência e já reeleito uma vez, Martorelli convocou uma Assembleia Geral para votar a remuneração mensal para o presidente no valor de 30 salários mínimos - “passando a vigorar a partir de janeiro de 2000”, três meses antes.

Catanduvense, Rio Claro...

A proposta foi aprovada por 56 associados: 31 jogadores do Catanduvense, 16 do Rio Claro, clubes que naquele ano disputaram a quinta divisão do Campeonato Paulista, e mais nove atletas identificados como “avulsos” na sede do sindicato.

Redação Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

23/04/2021

Veja Também