Ex-CBF acusado de liderar propinas na América do Sul

26/01/2016Mais Esportes

Eugenio Figuredo, preso no Uruguai.

Preso no Uruguai, o ex-presidente da Conmebol - Confederação Sul-Americana de Futebol, o uruguaio Eugenio Figueredo, abriu o jogo sobre como funcionava a propina no futebol sul-americano.

 

Segundo relatos ao FBI, dos Estados Unidos, Figueredo acusou o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de ser um dos líderes do esquema.

 

O Estado obteve com exclusividade a íntegra do depoimento dado pelo uruguaio à justiça uruguaia em 24 de dezembro, e em suas respostas Figueredo alerta que não vai aceitar ser o único a responder pelas suspeitas.

 

O dirigente foi preso em Zurique, na Suíça, 27 de maio de 2015 e extraditado no fim do ano passado para Montevidéu. Na corte uruguaia, é acusado de corrupção e fraude. 

 

Todos recebiam

Ao falar das propinas pagas por empresas de tevê e marketing para garantir contratos de televisão na Conmebol, Figueredo, segundo depoimento ao FBI, revelou que tudo começou com Teixeira e Julio Grondona, o ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina e também ex-vice-presidente da Fifa.

 

Figueredo foi presidente da Conmebol entre 2013 e 2014, quando Teixeira já havia abandonado a CBF, saiu em abril de 2012.

 

Mas o uruguaio detalhou como o sistema de propinas foi criado quando ainda era apenas o presidente da Associação Uruguaia de Futebol e nos anos anteriores à sua chegada ao poder. Figueredo presidiu a entidade uruguaia entre 1997 e 2006.

 

“Era tão natural que a pessoa que entrava no grupo recebia o dinheiro que cada um sabia que ia receber”, disse no depoimento.

 

“Grondona e Ricardo Teixeira começaram a ampliar os benefícios a todos. Nunca houve licitação nem concorrência para os contratos. A empresa Full Play entregou a cada um dos dez presidentes (das federações nacionais na América do Sul) US$ 300 mil dólares para assinar um contrato”.

 

 

Segundo o depoimento do uruguaio, Grondona mandava mais no futebol sul-americano do que Nicolás Leoz, o ex-presidente da Conmebol por anos.

 

Aumento de salário

“E ele (Grondona) tinha o apoio de Teixeira”. O argentino morreu em 2014, antes da eclosão dos casos de corrupção no futebol mundial.

 

Figueredo disse no depoimento que, quando já comandava a Conmebol, “o presidente da CBF” sugeriu que Figueredo aumentasse seu próprio salário como chefe da entidade para permitir que todos os demais membros do Comitê Executivo da organização também ganhassem mais.

 

Redação Futebol Bauru

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26/01/2016


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