Em crise, clube não paga os jogadores
Além da péssima campanha que vem fazendo no Campeonato Brasileiro Série B, na 18ª colocação, com oito pontos ganhos, o Ipatinga (MG) atravessa a pior crise de sua história, com direito a três meses de salários atrasados a jogadores e a funcionários, inúmeras ações nas Justiças Comum e Trabalhista e penhoras das rendas dos jogos em casa.
O Ipatinga venceu o Brasiliense (DF), sábado passado, por 3 a 1, mas, por trás da alegria pela vitória, muitos problemas foram registrados, como o resgate da renda da partida por oficiais de justiça da cidade. Além disso, jogadores e funcionários admitiram a situação financeira caótica em que o clube se encontra.
O clube completou três meses de salários atrasados a funcionários e jogadores. Pela Lei Pelé, o atleta que não receber seus vencimentos no período de 90 dias ganha o direito de requerer na justiça sua rescisão contratual com o clube.
O presidente Itair Machado, no entanto, negou que o Ipatinga deva três meses de salários. Machado não teme perder atletas, nem ver o futuro do clube na competição ameaçado. Dois jogadores do time e três funcionários do clube, que pediram para não ser identificados, afirmaram que os vencimentos atrasados chegaram ao seu terceiro mês.
Com os inúmeros problemas, Machado afirmou que pensou em deixar a presidência do clube, após a conquista do vice-campeonato mineiro neste ano.
A presença de oficiais de justiça antes e após os jogos do Ipatinga se tornou fato comum a todos no clube. O funcionário do departamento financeiro do time do Vale do Aço, Ademar Teodoro, admitiu que as visitas da justiça são corriqueiras.
”O Ipatinga vai fazer 19 jogos em casa nesse Brasileiro, e em todos eles os oficiais de justiça vão vir. É comum. E são ações de muito tempo e de tudo quanto é lugar”, cita Teodoro.
Como já aguarda a inevitável chegada dos oficiais antes dos jogos, o clube já começa a se valer de artifícios para burlar essa arrecadação e, consequentemente, perder menos dinheiro.
“Como eles (o clube) já sabem que vamos vir, eles colocam vendedores fora das bilheterias. O torcedor compra os ingressos na mão dessas pessoas ligadas ao Ipatinga. Com isso, o dinheiro não entra nas bilheterias e nem no borderô. Vai direto para o clube”, revela a oficial de justiça Renata Ferreira.
Redação Futebol Bauru
06/08/2010.

