Delegação repensa e deixa Copa Afriana
Governo e clubes europeus de um lado. Jogadores de outro. Este é o cenário da seleção de Togo, vítima de um covarde ataque na última sexta-feira, quando o ônibus da delegação foi metralhado por um grupo terrorista, em Cabinda, à caminho de Angola, sede da Copa Africana de Nações.
Um impasse foi criado quando dirigentes pediram que o grupo abandonasse o torneio. Os atletas se recusaram a deixar a competição após uma reunião, em um primeiro momento, mas acabaram cedendo à pressão, principalmente após a declaração de Rodrigues Mingas, líder das Forças de Libertação do Estado de Cabinda, de que os ataques iriam continuar.
Emmanuel Adebayor, capitão da seleção de Togo, admitiu em entrevista publicada no jornal italiano
“De fato tivemos uma reunião entre os jogadores e decidimos jogar. Seria bom para o nosso país e uma forma de homenagear aqueles que morreram no ataque”, disse o capitão da seleção Adebayor. “Mas infelizmente os nossos líderes tomaram uma decisão diferente e por isto deveríamos voltar para casa”, lamentou.
A declaração foi o chamado ‘balde de água fria’ na intenção dos jogadores, de disputar a Copa Africana. “A decisão foi unânime”, disse o meio-campista Alaixys Romao, ao jornal francês L’Equipe. Segundo o diário, a equipe havia concordado em ficar no torneio.
No entanto, o governo de Togo se mostrou irredutível com relação à retirada de seus atletas de Angola, tomada horas depois do ataque ao ônibus. O primeiro-ministro Gilbert Fossoun Houngbo afirmou que qualquer um que pretenda representar o Togo nos gramados angolanos estará fazendo “uma falsa representação’’.
O episódio do ataque à delegação de Togo expõe ao mundo o conflito que abala Cabinda desde a independência da ex-colônia portuguesa Angola, em 1975. Apesar de não fazer fronteira com o restante do país a região é uma das 18 províncias de Angola.
Cabinda, que fica entre a República Democrática do Congo (antigo-Zaire) e a República do Congo, é uma região rica em petróleo e ainda tenta se desvincular de Angola. O líder das Forças de Libertação do Estado de Cabinda, Rodrigues Mingas, reivindicou neste domingo a autoria do ataque ao ônibus de Togo e avisou que novos atentados irão ocorrer. “Vale tudo. Estamos
Redação AFB
10/01/2010.

