Crise financeira atinge clubes europeus
Juntas, Espanha e Itália somam cinco títulos de Copas do Mundo, 14 de Mundiais de Clubes, 25 de Copas dos Campeões da Europa e incalculáveis problemas financeiros.
Afundados em dívidas, os dois países veem a crise econômica tomar conta do futebol e ameaçar duas das mais importantes Ligas do mundo.
O Campeonato Espanhol, que começaria no último fim de semana, teve a primeira rodada adiada devido a uma greve de jogadores que temem levar calote dos clubes.
Italiano atrasado
E o início do Campeonato Italiano, previsto neste sábado, também corre risco de ser atrasado. Entre as razões da paralisação está uma lei criada pelo governo para aumentar a arrecadação nesses dias de crise.
Com dívidas públicas que juntas chegam a € 2,3 trilhões de euros, ou R$ 5 trilhões e 3 bilhões de reais, e o temor de que não conseguirão honrar seus compromissos, Espanha e Itália recorreram neste mês a auxílio de € 22 bilhões de euros, cerca de R$ 51 bilhões, do BCE - Banco Central Europeu.
Mas esse dinheiro não aliviou a situação financeira do futebol dos países que venceram as duas últimas Copas.
Dois privilegiados
Além da derrocada financeira do país, a Espanha sente o reflexo do modelo deficitário de distribuição de renda. Barcelona e Real Madrid recebem cerca de metade de todo o dinheiro pago pela TV para transmitir as duas primeiras Divisões da Liga.
E, enquanto a dupla crescia, os outros clubes se endividavam. A bolha estourou com a chegada da crise. Com poucos recursos, os clubes têm atrasado salários e acumulam dívida de € 50 milhões de euros, aproximadamente R$ 116 milhões de reais, com jogadores. A reivindicação dos grevistas é a adoção de medidas que lhes protejam disso.
A crise italiana é visível há mais tempo e não poupa nem os grandes. Na última edição do ranking dos clubes que mais faturam o primeiro do país, o Milan, aparece na sétima posição mundial.
TV paga mais de 60%
Os clubes não conseguem diversificar as fontes de renda e são dependentes da verba da TV, que representa, em média, mais de 60% dos seus faturamentos.
Sem dinheiro, o futebol italiano tem perdido prestígio e força dentro de campo. Samuel Eto´o, astro do Internazionale de Milão, transferiu-se para o Anzhi, da Rússia, e o país perdeu a quarta vaga na Copa dos Campeões para a Alemanha.
Enquanto isso, os atletas tentam fazer com que os times sejam responsáveis por pagar uma nova taxa sobre trabalhadores com salários superiores a € 90 mil euros ou R$ 208 mil reais por ano. E cobram mais liberdade nas transferências.
Redação Futebol Bauru
25/08/2011.
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