CBF vende Seleção por milhões. Empresa não existe
A Seleção Brasileira virou mina de ouro para empresários e a CBF - Confederação Brasileira de Futebol.
Contratos secretos obtidos pelo Estado revelam, de forma inédita, como a entidade leiloou a seleção em troca de milhões de dólares em comissões a agentes, dirigentes, testas de ferro e empresas em paraísos fiscais, longe do controle da Receita Federal brasileira.
Pelos acordos, a lista de jogadores convocados precisa atender a critérios estabelecidos pelos parceiros comerciais e qualquer substituição precisa ser realizada em “mútuo acordo” entre CBF e empresários. O contrato deixa claro: o jogador que substituir um “titular” precisa ter o mesmo “valor de marketing” do substituído.
Desde
Empresa não existe
A ISE é uma empresa de fachada com sede nas Ilhas Cayman. Não tem escritório nem funcionários. É mera Caixa Postal, número 1111, na rua Harbour Drive,
A ISE é apenas uma subsidiária do grupo Dallah Al Baraka, um dos maiores conglomerados do Oriente Médio, com 38 mil funcionários pelo mundo.
Em 2011 esse contrato de 2006 foi renovado por dez anos pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em encontro em Doha, no Catar, dia 15 de novembro.
Entre 2006 e
Sem atletas jovens
Em 2012, o contrato de operação passou para as mãos da Pitch International, depois de uma negociação com a ISE e a CBF que continua em vigência.
Nos primeiros acordos e emendas entre a CBF e a ISE, os termos não faziam qualquer menção às regras para a convocação de jogadores. Tudo mudaria em 2011.
Os aspectos esportivos foram colocados em segundo plano. Trata-se, acima de tudo, de um esquema para explorar a marca da seleção em todos os seus limites, independentemente do resultado em campo ou do significado de uma partida para a preparação da seleção.
Pelo acordo secreto, ficou estipulado que a seleção deveria entrar em campo sempre com seus principais jogadores, sem qualquer possibilidade de testar jovens promessas ou usar jogos amistosos para preparar o grupo olímpico.
Mais de 3 milhões
Qualquer violação desse acordo significa pagamento menor de cota. “Se acaso os jogadores de qualquer partida não são os do Time A, a taxa de comparecimento prevista nesse acordo será reduzida em 50%”, estipula o contrato.
Por jogo, a CBF sai com US$ 1,05 milhão de dólares ou R$ 3 milhões 140 mil reais, se seguir o acordo.
Caso um jogador seja cortado por contusão, por exemplo, a CBF precisa provar com certificado médico aos empresários da ISE que o atleta não tem condições de jogar.
Confidenciais
Todos os direitos de transmissão, copyright ou qualquer outro aspecto ficam sob controle total da empresa de fachada registrada nas Ilhas Cayman.
Em um dos artigos do contrato, fica ainda estipulado que, mesmo que o acordo for suspenso, os direitos de copyright são mantidos sem data para acabar. Qualquer violação significa que a CBF teria de pagar uma multa de US$ 1 milhão de dólares ou R$ 2 milhões 990 mil reais.
O acordo ainda termina com termo bem claro: confidencialidade. “Todos os termos e condições deste acordo serão tratados pelas partes como informações confidenciais e nenhuma das partes os divulgará”.
Redação Futebol Bauru
16/05/2015
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