Briga política por Garrrincha em Pau Grande
Em julho deste ano, a família do falecido Mané Garrincha chegou a acreditar que estava realizando um sonho.
Uma casa no centro de Pau Grande, distrito de Magé (RJ) e terra natal do ex-ponta-direita do Botafogo (RJ) e da Seleção Brasileira, iria se tornar um memorial que contaria sua vida e onde o acervo do jogador pudesse ser exposto.
A inauguração foi marcada em 12 de julho, mas a casa só ficou um dia aberta.
De todos os tempos
Briga política entre o secretário de Esportes e Lazer de Magé, Miguelangelo Pelegrino (PRB), e o prefeito da cidade, Nestor Vidal (PMDB), terminou com a exoneração do secretário, idealizador do projeto.
Campeão do mundo em 1958 e 1962 e considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, Garrincha, que completaria 80 anos neste mês, continua sem um museu que conte a sua história.
“É uma vergonha. Já se passaram mais de 30 anos, a Prefeitura passa de mão em mão, todos dizem que vão fazer esse museu e ninguém faz. Acho que se ele tivesse morrido rico, essa homenagem já teria acontecido”, diz Alexandra dos Santos, neta do ex-jogador, que expõe algumas fotos do avô na lanchonete “Garrinchinha”.
“Muitos clientes olham para as fotos do meu avô e choram, se emocionam”, conta.
A Prefeitura de Magé justifica que o projeto era do secretário exonerado. Pelegrino afirma que já tem um terreno e que busca recursos para construir um memorial.
Cemitério
As brigas envolvendo Garrincha chegaram ao cemitério da cidade. A Prefeitura construiu um mausoléu, mas a irmã de Garrincha, Rosa, impediu a transferência dos restos mortais.
O jogador está até hoje sepultado junto com o ex-vizinho Jorge Rogonisky, em uma sepultura pintada recentemente.
Reza a lenda local que o coveiro responsável pela pintura, Francisco de Souza, o Pará, às vezes senta perto do túmulo com uma garrafa de pinga para conversar com Mané.
Pará nega: “De vez em quando sento aqui, converso com ele, mas não bebo não, tenho medo de ele levantar e começar a falar comigo”, diz, em um misto de brincadeira e crença no sobrenatural.
Garrincha ainda é muito presente no cotidiano da cidade. Ele dá nome ao estádio do Esporte Clube Pau Grande (então time da fábrica onde trabalhava e no qual foi descoberto para o futebol profissional.
E tem também um busto em sua homenagem. O campinho da barreira, onde jogava suas peladas, continua do mesmo jeito, assim como várias características do distrito onde viveu sua infância na década de 1930.
É da mata onde caçava passarinhos que vem o apelido que tornaria Manoel dos Santos conhecido. Havia por ali um pássaro muito comum chamado de garrincha.
Redação Futebol Bauru
27/10/2013

