Atleta da Somália morre afogada

22/08/2012Mais Esportes

O tempo era inexpressivo para uma atleta olímpica. Mas, ao cumprir em mais de 30 segundos os 200 metros dos Jogos de Pequim, na China, em2008, Samia Yusuf Omar se tornou um dos símbolos da competição.

 

Última colocada em uma eliminatória com atletas que corriam em pouco mais de 21 segundos, a garota somali superava ameaças de morte, dificuldades financeiras e a guerra civil em seu país para começar a viver o sonho de ser atleta.

 

Sonho que perseguia em uma balsa, no mar entre a Líbia e a Itália, e que acabou com seu nome na lista de náufragos desaparecidos.

 

“Quero que me aplaudam por minhas vitórias. Prefiro isso a me aplaudirem porque preciso de apoio”, disse a atleta em 2008, aos 17 anos.

 

Preconceito

Depois dos Jogos, Samia tentou manter a carreira na Somália, mas esbarrava na falta de estrutura, nas ruas bloqueadas pela guerra e no preconceito por ser mulher. Sofria ameaças de morte por correr e não cobrir seu corpo.

 

Mais velha de seis irmãos, ajudava a mãe a vender frutas. O pai morreu a tiros em um dos conflitos no país.

 

Sem futuro na Somália, Samia foi para a Etiópia. De lá, continuou para o Sudão e a Líbia, de onde saiu para ir à Itália.

 

Morreu, aos 21 anos, em uma balsa improvisada quando atravessava o Mediterrâneo. Sua mãe vendera um pequeno terreno para financiar a viagem.

 

O treinador de Samia, Mustafa Abdelaziz, confirmou ao jornal italiano Corriere della Sera que a atleta embarcou em um barco clandestino.

 

“Os sobreviventes informaram a lista das pessoas que tinham morrido, e lá estava seu nome. Ficamos gelados. Sabíamos que a viagem era perigosa, mas não podíamos imaginar que Samia seria uma vítima”, disse Abdelaziz.

 

Redação Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

22/08/2012.

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