Alemanha iniciou a revolução no futebol há 14 anos
A elasticidade do placar:
Mas, para os alemães, a superioridade da seleção comandada por Joachim Löw é resultado de um plano conduzido com detalhes por mais de uma década e que, agora, colhe seus frutos. A meta sempre foi muito clara: acabar finalmente com o jejum de 24 anos sem um título mundial.
Tudo começou, segundo o Estado, em 2000, depois da humilhante eliminação da Alemanha da Eurocopa, sem vencer e sem marcar gol.
Base de jovens
Clubes, Federações locais e jogadores se reuniram e fizeram constatação preocupante: o futebol alemão não era mais competitivo.
Foi, então, montado um plano para reerguê-lo, e a prioridade não seria trazer estrelas estrangeiras, mas criar uma base de jovens para que, dez anos depois, pudessem brilhar.
A meta era atrair, em cada cidade, jovens talentos e formá-los, mesmo que levasse anos para dar resultados. No campo financeiro, a ordem foi trocar os gastos milionários com jogadores estrangeiros por investimentos locais.
Escolinhas obrigatórias
Todos os clubes foram obrigados a montar escolinhas de futebol como exigência para que pudessem participar do campeonato nacional.
Desde então, US$ 1 bilhão de dólares, ou mais de R$ 2 bilhões e 200 milhões de reais, foram gastos no desenvolvimento de jovens.
Hoje, são 366 centros de treinamento de menores, empregando mil treinadores e dando espaço para 25 mil alemães tentarem a sorte no futebol.
Alguns dos garotos que se beneficiaram dos investimentos são verdadeiras estrelas, como Thomas Müller, e jovens que já estão na seleção alemã.
Espaço aos imigrantes
Não faltou espaço nem mesmo para filhos de imigrantes que, pelo plano, foram considerados essenciais para trazer ao modelo alemão um perfil mais leve e dinâmico.
Sem traumas e longe da ideia de nacionalismo alemão, a seleção entra em campo com vários “estrangeiros” e várias religiões.
O pai de Mesut Özil é turco, enquanto a família de Sami Khedira vem inteira da Tunísia. Miroslav Klose nasceu na Polônia, assim como Lukas Podolski. Jerome Boateng tem sua família em Gana e Shkodran Mustafi é de Kosovo.
Preços congelados
Nos estádios, os preços de ingressos foram mantidos congelados, garantindo a lealdade do torcedor.
Empresários estrangeiros foram impedidos de comprar clubes, como na Inglaterra. Hoje, a Bundesliga é o torneio mais rentável de toda a Europa, com a maior média de público, 45 mil torcedores por jogo, e o único em que todos os times estão em situação financeira estável.
Estrutura invejável
A estrutura montada pelo Bayern de Munique se transformou
Cinco campos de treinamento espaçados em 70 mil metros quadrados recebem, semanalmente, 185 jovens. Destes, 90% são do próprio estado da Baviera (Bayern), cuja capital é Munique.
No total, o clube mantém 11 times completos, além da equipe principal. Para selecionar os jovens que poderão treinar na “academia”, o Bayern tem 26 olheiros e treinadores, todos com formação profissional. Outras 40 pessoas trabalham exclusivamente para os times de base, incluindo psicólogos.
Rigor nos treinos
Os investimentos chegam a R$ 10 milhões de reais apenas nas equipes de base, o que inclui até um gramado com aquecimento subterrâneo.
Os primeiros resultados são reais. Por esses campos, além de Müller, saíram Lahm, considerado um dos melhores laterais do mundo, Schweinsteiger e Toni Kroos. E o único critério para aceitar um jovem na escolinha é sua técnica.
O rigor nos treinamentos segue o melhor estilo alemão. Aos jovens de 7 anos de idade, o clube exige presença obrigatória nos três treinos semanais.
Boas notas
Para aqueles que prometem ser novas estrelas, é garantido um tratamento VIP. Treze desses jovens entre 15 e 18 anos são hospedados nas instalações do Bayern, um modelo parecido ao que existe no Barcelona. Mas, sem boas notas na escola local, são eliminados do programa.
Dos 134 clubes europeus, o Bayern foi o que mais forneceu jogadores para a Eurocopa. O time também forneceu para a Copa do Mundo nada menos que 18 jogadores.
Mas não são apenas os grandes clubes que investem. Para garantir que todas as agremiações conseguissem montar suas academias, a Federação exigiu que clubes mais ricos financiassem parte das escolinhas dos mais pobres.
Acordo com colégio
O Schalke foi um dos primeiros a reforçar suas equipes de base. Fechou um acordo com um colégio local e transformou as aulas de educação física em uma preparação para o clube.
Agora, os investimentos estão dando frutos. Cinco goleiros titulares na Primeira Divisão vieram da escolinha, incluindo o goleiro da seleção, Manuel Neuer.
“Estamos prontos para ganhar a Copa”, declarou o presidente da Federação Alemã de Futebol, Wolfgang Niersbach. “O segredo é que trabalhamos muito e agora podemos dizer que somos um dos favoritos”.
Redação Futebol Bauru
10/07/2014
Veja Também
-
Cores e organização marcam o Cerimonial de Abertura da Copa Big Boys
Foguinho não escondeu emoção em desfile dos atletas. (Futebol Bauru 16/05/2026)

